Nossos compromissos
A justiça reprodutiva liga o direito ao próprio corpo às condições de vida. No Brasil, ela também exige memória: o Estado violou, e segue violando, os direitos reprodutivos de mulheres negras, a partir de esterilizações forçadas, interrupção de gestações, de suas famílias e a vida de seus filhos. Por isso, nossa atuação cruza seis frentes e tem a reparação como horizonte.
Raízes no feminismo e no transfeminismo negro
Somos uma organização negra, transfeminista e interseccional. Partimos da experiência de mulheres negras, indígenas, quilombolas e periféricas, e de pessoas trans negras, que vivem raça, gênero, classe e identidade de gênero ao mesmo tempo. Historicamente, essas pessoas tiveram negado o direito de decidir sobre seus corpos, gestar e criar seus filhos em segurança.
Pessoas trans no centro do cuidado
Justiça reprodutiva é para todas as pessoas que gestam. Homens trans e pessoas transmasculinas engravidam, abortam, amamentam e precisam de cuidado ginecológico, mas seguem invisibilizados nos serviços e nos dados de saúde. No país que mais mata pessoas trans no mundo, defendemos pré-natal, parto, contracepção e aborto legal sem transfobia, o respeito ao nome social e à identidade de gênero no SUS, a ampliação do processo transexualizador e a produção de dados que incluam pessoas trans e não binárias.
Justiça climática
A crise climática já é uma questão de saúde reprodutiva. Calor extremo, enchentes, deslocamentos forçados, falta de saneamento e insegurança alimentar atingem primeiro gestantes, pessoas que gestam e crianças negras, indígenas, quilombolas e periféricas. É o racismo ambiental em ação. Defendemos territórios saudáveis e que essas comunidades estejam no centro das decisões sobre o clima.
Um SUS universal e antirracista
O SUS é a maior política social do mundo, e defendê-lo é defender a democracia. Lutamos por um SUS público, universal e antirracista e pela efetivação das Políticas Nacionais de Saúde Integral da População Negra e da População LGBT. Mulheres negras morrem mais de causas maternas evitáveis e são as mais expostas à violência obstétrica: enfrentar essas mortes é uma urgência de direitos humanos.
Marcos de direitos humanos
Nossa atuação se ancora em compromissos que o Brasil assumiu diante do mundo: a Conferência do Cairo (1994), a Plataforma de Pequim (1995), a Convenção CEDAW, os Princípios de Yogyakarta e o caso Alyne Pimentel. Alyne, jovem negra que morreu grávida por falta de atendimento, levou a ONU a responsabilizar o Brasil por uma morte materna pela primeira vez. Cobramos que esses compromissos saiam do papel.
Antirracismo e reparação
Para mulheres negras no Brasil, a violência de Estado é também uma violência reprodutiva. Ela aparece na esterilização em massa, que interrompeu a vida reprodutiva de gerações, e nas chacinas e operações policiais que matam seus filhos nas favelas e periferias. Aparece ainda no luto de mães que seguem lutando por justiça e na morte violenta de pessoas trans. O direito de ver os filhos crescerem com vida e segurança é negado todos os dias. Somamos nossa voz à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver (2025) e exigimos memória, justiça e reparação, para que o bem viver seja possível.